Caros amigos, clientes e amantes do vinho, saboreiem!
Acertar na escolha do vinho está além do ato do pagamento, pode simplesmente estar na tranqüilidade e na atenção de degustá-lo. Qual o vinho que marcou o seu paladar? Casualmente, nossos pensamentos guardam alguns rótulos sem guardar um momento específico, como uma companhia ou lugar, ele simplesmente é marcante e ponto final.
Mas como é gostoso empolgar-se com um vinho e relatar aos amigos e acompanhantes, discernir os traços enquanto seus companheiros inquietantes giram suas taças e buscam em suas mentes esses aromas, traços e gostos que aos poucos vão sendo lançados.
Aos iniciantes, um alento! Não se decepcionem por não sentir alguns aromas que ouvirem falar enquanto degustam seu vinho. Pessoas com “quilometragem” maior em vinho tendem a ter maior memória olfativa e isso se aprende com um pouco de treino, e treinar pra gente é um prazer. Nesses treinos podemos participar de grandes “jogos”.
Vamos à Mendoza novamente, terra da promissora Malbec que tem condições privilegiadas para a produção de grandes vinhos. Para ser mais exato, vamos à região de Perdriel onde fica localizado a vinícola Renascer, bem ao pé da cordilheira dos Andes. Vinícola de uma bela arquitetura medieval, que concilia a beleza antiga com o mais forte equipamento tecnológico e vinhedos em solos francoargiloso. Lá, o clima e altitude são ideais para o cultivo da cepa Malbec.
Uma idéia diferente nos despertou a curiosidade, um Amarone Argentino! Em uma visita de Marilisa Allegrini à Mendoza, a prestigiada produtora Italiana da região do Veneto, encontrou em Mendoza um lugar ideal para elaboração de um “Amarone”.
Daí em diante, numa jogada de letras, surgiu uma parceria entre os enólogos Paolo Mascanzoni da vinícola Allegrini e Alberto Antonini da Renascer, e então criaram um novo amor: Enamore (Amarone)!
Um vinho do novo mundo que é reflexo de uma idéia genial empregada num sistema chamado apassimento, onde as uvas ficam expostas aos ventos secos da Cordilheira dos Andes, até perderem um terço do seu peso (secando). No velho mundo, o Amarone é feito do corte clássico do Valpolicella: Corviva, Rondinella e Molinara. Já o Enamore foi um Blend de cinco castas, sendo quatro francesas (Malbec, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Syrah) e uma italiana (Bonarda). Mesmo sendo um projeto Ítalo-Argentino, os enólogos respeitaram as condições favoráveis das castas que são utilizadas no vinho. Não sabemos certamente se um primeiro projeto teve a idéia de utilizar o mesmo blend do Amarone. Mas pelo que pudemos comprovar ao abrir essa garrafa é que com certeza a razão falou bem alto.
Um vinho de cor vermelho-rubi bem intenso, com aroma muito atraente de frutas maduras, amora, figo e café. Na boca, um primeiro ataque de muita densidade, porém elegante, com taninos bem integrados e maduros. Os sabores das frutas se afunilam no final torrado, equilibrado e refrescante deste belo vinho.
Com grande satisfação,
André santos
Nome: Enamore Produtor: Bodega y Viñedos Renascer + Allegrini Origem: Mendoza - Argentina Cepas: 60% Malbec, 23% Cabernet Franc, 10% Cabernet Sauvignon, 4% Syrah e 3% Bonarda
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Segunda-feira, 21 de setembro de 2009 - 19h4
Um abrigo para pureza, elegância e poder
Caros amigos, clientes e amantes do vinho,
Sou um grande apreciador da uva Shiraz, sempre busco vinhos varietais desta cepa que levam a uma sensação maior que ter uma degustação satisfatória. Logicamente que é um gosto pessoal e individual, mas isso não é o mais importante? A discussão interminável de o vinho ser bom ou não é infinita? Quem pode dizer que não? Eu nunca ouvi o final desta história e tenho minhas dúvidas se algum dia saberei como é.
Não é complicado entender o gosto das pessoas, devemos aceitar. Verdade é dizer que quando um vinho é muito bom é difícil não atrair a atenção da maioria, não necessariamente ele precisa ser o melhor. Esqueçam, ignorem e não se aborreçam por criticas aos vinhos que você mais gosta, a maior importância está no seu prazer.
Na Austrália Meridional encontramos as regiões mais famosas e os mais aclamados produtores, é impressionante a variedade das cepas e estilos por região. Vales de Barossa, McLaren vale e vale do Clare. Destes lugares, podemos extrair os melhores exemplares de tintos e principalmente da cepa Shiraz. No entanto, os Vales de Clare e Éden são tradicionalmente muito fortes em Riesling de alta qualidade e apresentam características bem diferentes. E ainda, na parte Meridional Coonawarra e sua famosa terra roxa, está por trás da reivindicação de Coonawarra ser a maior região produtora de vinho tinto.
Seguindo minhas tendências gustativas não poderia deixar de citar um varietal de uva Shiraz desse país. Não que os tintos de Shiraz são melhores, mas a Austrália tem seus varietais de Shiraz entre os melhores do mundo.
A fama trouxe os vinhos da Vinícola Mitolo até nossa curiosidade. Sua fama se tornou gigantesca depois da degustação de vinhos da safra de 2005, onde receberam notas sempre acima de 91 pontos e chegando a 96 pontos com o Mitolo Savitar. Esplêndido!
Jester tem uma apresentação mais despojada, chegou tido como vinho base e acabou deixando a mesa mais eufórica pra conhecer os vinhos da vinícola Mitolo. Se a linha Jester é o chão, imaginem como será o paraíso Savitar?
Mitolo Wines é uma vinícola familiar que foi fundada em 1999 por Frank e Simone Mitolo. A visão deles era criar vinhos que carregassem a pureza de suas cepas, elegância e ao mesmo tempo dentro de sua complexidade muita riqueza e corpo. Esta filosofia deu inicio a combustão desta vinícola em procurar alcançar um valor especial, sempre em pequenas produções. Para construir seus objetivos, a vinícola conta com toda a experiência do enólogo Ben Glaetzer, um dos mais conceituados na Austrália que se associou a empresa em 2001.
A matéria prima tem um cuidado mais que especial, sendo estudado ano a ano para sempre ser colhidas em sua maturidade mais plena, assegurando sempre taninos mais finos e maduros. De forma mais que cuidadosa, a vinificação segue com um controle rígido em todas suas fazes até deixar o vinho amadurecer em barricas de carvalho francês de granulação fina. O vinho Jester Shiraz é uma obra impressionante de alto custo/ beneficio. Não é errado dizer que uma garrafa de Mitolo é um abrigo da pureza, elegância e poder. Encontramos nele um vinho tinto de cor púrpura e ótima intensidade, os aromas de frutas saem com grande volúpia da taça, frutas negras em geléia, notas florais e suas especiarias obrigatórias desta cepa inconfundível.
Na boca, o termino de uma super impressão: ótimo corpo e sabor, com acidez perfeita para suprir sua potencia, taninos de boa qualidade. Ótima concentração, vinho muito envolvente, refletindo seus aromas e fechando com uma persistência e final muito convidativo para uma próxima taça.
Qual a sensação de degustar bons vinhos? E a sensação quando eles são ruins?
Uma expressão se popularizou na hora de falar do defeito de um vinho “ele é muito ácido”, ouvimos. Diversas vezes essa frase se repete e, por diversas vezes, são ignoradas por quem atende. Levando em conta que “o cliente sempre tem razão”, não custa nada orientar sobre a sensação que a pessoa sentiu. Com jeito, se acerta as diferenças e não será preciso você jogar na cara do seu cliente quais sensações gustativas para cada eventual desequilíbrio ou defeito nos vinhos. O atendente tem de ter, por obrigação, sensibilidade para extrair do cliente o que não lhe agrada e depois, gradativamente, mostrar as diferenças das imperfeições e desequilíbrios que podem não lhe agradar.
Todos os vinhos têm acidez e precisam dela para manter um equilíbrio, só que ela em excesso, como todos os outros componentes, é defeito. A forma mais fácil de detectar esse tipo de defeito é nas laterais da língua, provocando uma maior salivação.
Prestar atenção na hora de degustar um vinho é essencial e podemos tirar uma conclusão rápida: a resposta está na sua língua. Temos pelo menos quatro sensações primárias em nossa boca: doce, salgado, amargo e ácido. Na ponta da língua estão localizadas as papilas sensíveis aos doces, nas laterais aos ácidos, nas partes posteriores mais sensíveis ao amargo e o salgado em toda a língua.
O vinho tem outros componentes que, em desequilíbrio, podem causar sensações desagradáveis como, por exemplo, o tanino que tem o amargor e a adstringência como características principais de defeito. O álcool pode ser detectado na sensação de esquentar a boca e até provocar doçura. Os defeitos são decorrentes de exageros dessas propriedades e deve-se ter um pouco de sensibilidade na hora de julgá-los.
Muitos vinhos possuem leve amargor final e não devem ser julgados como sendo errados, pois muitos tintos têm como característica benéfica esse amargor. Assim como ter breve adstringência é comum em vinhos tintos de grande porte e de vinhos jovens, lembrando novamente que esta é a maior característica de cepas como, por exemplo, a uva Tannat que vem sendo muito comentada por ser um excelente antioxidante e é até recomendada e prescrita por médicos em algumas dietas.
Como toda história, essa termina com um vinho...
A vinícola Valdivieso fundada em 1879 por Don Alberto Valdivieso foi à primeira casa produtora de espumantes no Chile e na America do Sul. Cem anos após a abertura, a vinícola impulsionou-se comercialmente quando começou a fazer vinhos de qualidade do vale de Curicó. O trabalho resultou em uma vinícola reconhecida por fazer excelentes vinhos e com êxito nos melhores e maiores mercados consumidores do mundo.
O vinho degustado foi um exemplar Premium, Valdivieso Éclat, um vinho de corte diferenciado que se refletiu nos seus aromas e sabores. Um casamento entre as cepas Mourvedre, que tem como principal características sua cor negra e sabor vigoroso, Carignan, tânica e rústica em boca e de grande potencia aromática e Shiraz uma cepa potente e condimentada. Um casamento de três cepas vigorosas que deram vida a um vinho de cor vermelho bem intenso, a potencia aromática é sentida sem precisar chegar muito próximo a taça. Aromas de frutas, especiarias, condimentos e um toque selvagem muito intrigante. Na boca complexidade e intensidade, muito saboroso, encorpado e vigoroso sem perder sua decência. Por fim, muita calma em sua despedida, com um belo final, deixando para trás uma boca cravada de seus muitos sabores.